O sucesso Flower Power


Esses dias tentei entender uma coisa. Como jovens que hoje frequentam a faculdade podem se tornar bons profissionais amanhã? E sim, eles se tornarão. Eles não estudam, não se organizam, não se respeitam, nada. Fumam o que tiver na frente, bebem qualquer coisa líquida. Só se importam em ir nas festas. E eles ainda darão bons profissionais amanhã.
Isso com certeza é algo que me irrita. Não que eu faça as coisas certas e fuja desse padrão. Não sou igual a maioria, mas tenho meus defeitos. Não me interesso por aulas, não faço trabalhos, me distraio o tempo todo. E mesmo assim vou bem.
Acho que essa coisa começou com o Jobs. Resumindo: ele e o Gates começaram juntos. Gates fazia tudo e era puritano. Jobs não se importava com nada e era drogado. Resultado: Gates ainda é o mais rico, mas quem tem mais prestígio?
Eu tenho dormido 3~4 horas, viajo 500 km por dia. Terei uma segunda formação antes mesmo de ter a primeira. Será que isso tudo valerá a pena? Será que depois de três ou quatro anos eu serei alguém no mundo?
Só sei que o pessoal do rebolation tá fodido.

O final é o começo


Depois do “felizes para sempre” da Branca de Neve, ela e seu príncipe desnomado foram para o seu lindo castelo na província dos ex-príncipes-sem-nome-futuros-reis-de-um-lugar-qualquer.

Lá eles viveram anos de beleza, amor e sem gracisse, até que Branca engravidou. Branca teve uma linda menina de pele negra e os olhos mais escuros de que já ouvi falar. Seu nome? Jasmim. Jasmim era uma linda criança, mas não o bastante para alegrar Branca, que entrou em depressão pós parto.

Branca sofreu muito ao se ver com os peitos caídos, as olheiras na face e seus cabelos mal cuidados. Começou a beber, e meses depois de dar a luz a linda Jasmim, morreu de cirrose.

O Príncipe-desnomado-que-já-era-rei, sofreu muito com a perda de Branca, mas cuidou de sua filha com muito amor, até arranjar outro rabo de saia que cuidasse melhor dela. Foi então que ele conheceu a linda e já experiente Miranda Priestly, que apesar da fama de “dama-de-ferro” tinha duas filhas, e saberia muito bem cuidar de Jasmim. Suas filhas eram Alice (que no final dessa história irá para o País das Maravilhas) e Caixinhos Dourados, que não tinha caixinhos, muito menos cabelos dourados, e tinha cara de bolacha Trakinas.

A infância e adolescência de Jasmim foi sofrida, pois se culpava pela morte da mãe, sentia falta do pai, que só sabia viajar pra comprar vestidos caros para sua esposa, e sofria nas mãos de suas meio-não-irmãs que a faziam fazer os trabalhos de escola delas. Porém Jasmim cresceu linda e morena, tornando-se uma bela mulher.

Certa manhã, Jasmim saiu para comprar carne no Açougue dos Três Porquinhos, e de papo com o Lenhador, foi surpreendida pelo Lobo Mau, que estava fazendo um bico de panfleteiro pra ganhar um extra. O panfleto que o Lobo entregava falava sobre a festa anual do Peter, uma das melhores da região, que aconteceria naquela noite. Jasmim correu para casa para se arrumar.

Não contou nada para suas meio-não-irmãs, para que elas não estragassem sua noite. Procurou seu vestido mais bonito, pois queria estar sexy para, quem sabe, achar o seu príncipe desnomado. Porém, Jasmim não entrou em seu vestido, os donuts que comera sem parar fizeram a diferença. Ela chorou, chorou e chorou, e quando estava como uma bêbada acabada no final da festa, de suas lágrimas surgiu, ninguém mais, ninguém menos que: O Maskara! Meio sem saber o que havia ali, disse que Jasmim não estava como deveria estar para esperá-lo. Jasmim, meio embasbacada explicou-lhe a situação. Num subto tornado, o Maskara, dando uma de fada madrinha, arranjou um bom espartilho, um vestidinho rosa-bem-mini, uma sandália prata, com um salto plataforma transparente – super na moda, deu um jeito no make da guria e disse que ela estava pronta pro Coco Bongo. Jasmim, surpresa explicou lhe novamente a situação, enfatizando que não queria ir a qualquer festa (tipo o Coco Bongo), mas sim a festa anual do Peter. Maskara abismado-surpreso-e-logo-furioso fingiu que nada havia acontecido, deixou uns trocados na beira da cama e saiu sem dizer nada. Jasmim usou os trocados que Maskara deixou para pegar um taxi, pois não queria chegar na festa de ônibus.

Ela dançou como nunca havia dançado, rebolou como nenhuma outra, chamou a atenção de todos os príncipes desnomados da região, principalmente de Peter, o anfitrião. Peter a cercou a noite inteira, até que ela, encantada, se deixou levar pelos encantos dele. No final da festa, entre beijos e amassos, ele a convidou para sairem dali, irem para um lugar mais tranquilo, e todo aquele papo masculino. Quando estavam no in-out-in-out, ali, no carro mesmo. Um guarda bateu na porta, pediu os documentos e para que se compuzessem. O carro era do pai de Peter, que havia morrido havia alguns meses. Jasmim tinha vinte e cinco anos. Peter doze, na documentação.

Jasmim mal acreditava no que havia feito. Uma criança. Ele foi para algum juizado de menores. Ela presa por pedofilia.

Pelo menos ela se livrou da Miranda. Que se livrou do Príncipe-desnomado-que-já-era-rei para ficar com o Capitão Gancho, que tinha mais posses. Já Alice, filha de Miranda, seguiu um porquinho e sumiu numa moita. Dizem que era uma passagem secreta para o País das Maravilhas, mas quem e que vai saber? E a cara de trakinas se atracou num pote de mel que o Lenhador ofereceu.

É, nem todas as histórias tem finais felizes.

Essa eu escrevi no ensino fundamental.

Eu, incolor.


Vou lhes contar uma breve história sobre um cara solitário. O nome dele era Tom, e ele não era do tipo popular, nem mesmo o amigo nerd que é tímido. Tom não se enquadrava em nenhuma predefinição, aliás, ele era uma mistura de todas as definições de caras da faculdade, porém era só. Era bonito, mas não tinha garotas na volta, era inteligente, mas não tirava boas notas, todos o conheciam, mas ninguém sabia quem era. O tipo de cara que vai a uma festa, mas não é notado, aquele tipo que não fede, nem cheira, sabe? (Sempre tem um desses em algum lugar, só que a gente não nota).

Tom trabalhava numa livraria e vivia com uma pilha de livros nos braços, aliás, ele vivia dentro dos livros, pois a cada um que lia influenciava em algum aspecto da sua aparência. Já andou com um anel pendurado no pescoço e com uma toalha na mochila, chegou até a roubar um livro da biblioteca municipal, e a se enviar cartas de baralho com endereços escritos, mas ninguém nunca notou.

Suas esquisitices e estranhezas o faziam diferente, mas não mudava o fato de não ser notado. Certa manhã, Tom acordou disposto a mudar a sua vida. Pôs a sua roupa mais cool, não arrumou os cabelos, nem pôs o relógio no pulso. Acordara decidido a ser notado. Naquele mesmo dia, a tarde, Tom foi notado, na faixa de segurança do cruzamento mais movimentado da cidade, na hora do rush. Tom tinha uma arma dentro de sua boca e puxou o gatilho com a convicção de que só assim seria notado.

Tom foi notícia em jornais do mundo todo, uma semana depois já não se falava nele.

Sempre que já nem me lembro, lembras pra mim


Não sou o tipo de pessoa que conhece alguém num dia e esquece no outro. Sou boa fisionomista e quando me interesso então, decoro até o CPF da criatura. No meu trabalho, tenho a obrigação de conhecer todos os dias alguém novo, mas isso não é problema.
Também não esqueço os momentos, pra mim, momentos são muito importantes. Guardo tudo dentro de mim, como se eu fosse um baú. Como se algum dia alguém fosse me abrir e revirar o que tenho dentro. Como se tudo o que guardo fosse precioso. Como se tudo fizesse sentido. Como um baú faz sentido. Como um baú é precioso.

Para mim, o que, realmente, faz sentido é guardar os momentos de outrora, para depois lembrar e sentir as sensações mais puras que essa vida me oferece. Sentir a mesma alegria que senti ao ganhar um ursinho de pelúcia do namoradinho da infância; sentir a mesma cumplicidade que sentia nos dias que passava com aquele irmão, que não é irmão, mas foi o que escolhi pra ocupar o lugar de um; sentir o mesmo carinho que senti ao perceber que aquela amiga do colegial era a melhor e estaria sempre comigo; sentir o mesmo aperto no peito que senti ao sair do colegial e entender que aquele era só o primeiro passo para algo muito melhor; sentir a mesma angústia que senti ao deixar amigos para trás; sentir o mesmo alívio que senti ao perceber que nem tudo estava perdido; sentir a mesma felicidade que senti pela primeira vez que cortei o cabelo por conta própria; sentir o mesmo frio na barriga que senti ao conhecer ele; sentir o mesmo afago que senti quando chorei por amor, no colo daquele amigo; sentir que o mesmo amigo ainda é amigo e será pra sempre ‘O’ amigo; sentir a mesma felicidade que senti quando ele descobriu que não havia escapatória, ele seria meu; sentir a mesma liberdade que senti quando saí de casa; sentir o mesmo peso da responsabilidade de me manter fora de casa; sentir a mesma alegria que senti na primeira vez que ouvi um “bom dia, amor”; sentir a mesma ansiedade que senti no primeiro dia na faculdade; sentir que sinto todos os dias uma enorme vontade de sentir mais.

Por essas e outras que pretendo ser um baú, guardando recordações, pro resto da vida. E não se engane, dentro desse baú ainda cabe muita coisa.

Ensaio: Homem. A Teoria da Regra de Dois.

No assunto amor, o homem é o que mais se dedica sem se preocupar com as conseqüências. Ele não quer saber o que vai enfrentar, só quer saber o que tem a ganhar (vide ambição). Com o amor incauto que possui, o homem espera obter o resultado esperado, resultado este que nem sempre é bem concebido. Mesmo quando se sabe o que quer, o homem tem a tendência de quer um par muito diferente. Em muitos casos relatados isto não chegou a ser um problema, mas há relatos de casos onde uma simples virgula trocada faz com que o amor, que até agora era benigno, passe a ser outro amor, agora maligno.

Uma interessante e importante característica do homem é ter amor maligno. Qualquer outra raça trata seus inimigos como inimigos, desdenhado-os, mal tratando-os e tentando derrubá-los. Os homens também o fazem, mas não todos. É comum casos de inimigos se idolatrando e cuidando de si, caso que a literatura vigente aborda com temas históricos. Essa característica foi incorporada a outra, de nome honra, mais tarde.

Com o amor humano esclarecido, apresento a Teoria da Regra de Dois. Diferente do calculo matemático da Regra de Três, onde, alterando a ordem dos fatores é possível definir e identificar um valor oculto, a Regra de Dois trata do inverso, onde, uma pessoa, apegada a outra, passa a existir socialmente caso o teorema seja verdade. Para provar o teorema e torná-lo verdadeiro é necessário saber o nível de entrosamento desta pessoa. Apesar de estar apresentando a teoria como se fosse booleana, não acredito que ela possa ser escrita ou mostrada, mas como teoria, é uma ótima reflexão. Para melhor explicar a diferença entre a regra de três e a Teoria da Regra de Dois, basta um exemplo: se uma pessoa é bem aceita socialmente, isto se deve a dois fatores: nível de entrosamento e nível social. Qualquer um destes fatores aumenta com uma companhia amada. Porém, isso não quer dizer que, se a pessoa amada se afastar, os níveis devem baixar. Neste caso, o romance deve ser tratado como um aprendizado de longa duração.

Apesar de, se comparada a regra de três, a Teoria da Regra de Dois parecer completa ela não o é. Quando se trata de Homens, há sempre fatores que devem ser levados em conta, mesmo que eles ainda não sejam conhecidos. A isto, damos o nome de Imprevisibilidade.

Ensaio: Homem. Prefácio.

Se o Mundo fosse dividido em quatro ensaios, quais seriam eles? Eu escolhi os seguintes: Homem, Terra, Dinheiro e Deus. Justamente por que não acho que exista algo que não está relacionado a pelo menos um destes itens. Dentre os quatro ensaios, começarei justamente pelo mais longo, o Homem.

Como explicá-lo? Como entendê-lo? E mais um monte de Como?’s que você pode se fazer continuarão sem respostas depois de ler todo o ensaio. Mesmo assim, vale à tentativa.

O homem em si não serve a propósito algum, o que o impulsiona é a quantidade. Quantidade de homens a seu dispor, quantidade de dinheiro a seu dispor, quantidade de qualquer coisa, desde que esteja a seu dispor. Não há homem sem ambição. Seja uma ambição branda, disfarçada, leve, seja uma ambição forte, poderosa, dominadora. A ambição é uma das melhores amigas do homem, o acompanhando desde que era preciso criar estórias para contar o passado. O homem tem uma tendência natural à ceder a ambição, ficando a mercê da mesma em muitos momentos. Todo homem sabe controlar sua ambição, desde que ele saiba que isto resulte num premio, ou seja, uma ambição disfarçada de caridade, mas para o bem próprio.

O homem é um ser fantástico. Ele se distingue dos outros animais, dentre outras coisas, por ser completamente divisível. Vou explicar. Se pegarmos uma raça qualquer que não seja a humana, na pior das hipóteses, a esmagadora maioria da raça faz as mesmas coisas e se comporta da mesma maneira, agindo mais por instinto. Já os homens são diferentes. Eles sabem o que querem, e por isso são guiados pela ambição, pelo faro de idéias. Se reduzirmos o mundo a dez mil humanos, teremos uns dois ou três mil “tipos” de homens. Porém, sabemos que foi justamente esta diversidade que fez com que nos déssemos tão bem com qualquer lugar que estejamos.

Uma outra característica marcante no homem, é o amor. Já foi provado cientificamente que há vários animais que amam, não somente os humanos, mas nenhum dos outros se sacrifica tanto por algo nem sempre vantajoso. Apesar do amor fazer bem quimicamente, ele nem sempre é um upper fisicamente. Como tese, proponho a Teoria da Regra de Dois.