Fazer o quê?!?! [2]


- Ah, amiga, ele é tão perfeito. Tudo com ele é lindo, ele faz os mínimos detalhes serem os mais especiais. E ele me trata como uma princesa. Às vezes penso que estou num conto de fadas e ele é meu príncipe encantado! Tudo com ele é mais divertido, mais colorido. Acho que estou amando.
- Que bom, Lina. Fico feliz por vocês. John é um cara legal, vai te tratar bem em quaisquer circunstâncias.
- Concordo, ele é o máximo!
- Mas amiga, cuidado! Quando a esmola é demais o santo desconfia.
- Do que falas, querida?
- Sei lá, vocês já... Ãhn... Já?
- Não! Ele nunca tentou. Acho que é cedo demais...
- É, pra você é cedo, mas pra ele... ?
- Ele nunca, nem sequer tocou no assunto.
- Mas e você acha que ele não te deseja?
- Às vezes eu acho...
- Acho que ele te deseja, e mais, acho que ele te quer, mas não tem coragem.
- Mas estou pronta, até em ginecologista já fui.
- Lina, o caso não é esse. John gosta demais de você, mas ele tem medo de te decepcionar...
- E como pode saber disso?
- Ele não sabe, só tem medo.
- Sabe, amiga, às vezes ele me deixa louca, ele sabe como fazer isso... E é tão bom.
- Hahaha, e você não faz o mesmo?
- Ah, eu nem sei como fazer isso. Vai que eu faço algo errado.
- Você tem que passar confiança pra ele, se você está pronta, mostre isso!
- Mas não parecerei atirada? Não quero que ele pense que sou como as outras.
- Não, Lina, ele vai perceber que você quer também, vai perder o medo e vocês serão felizes, entende?
- Tá, até entendo. Mas fazer isso é complicado?
- A que se refere? Ao ato de... Ou ao deixar ele com vontade?
- Tens uma mente muito poluída! Eu me refiro a provocação sem parecer vulgar, tem como fazer isso?! É um meio termo.
- Ter até que tem, só não sei como é.
-...

Sentimentos.


Sabe, um dia me perguntaram como eu me sentia. Ah, uma simples pergunta. Provavelmente foi que eu pensei na hora. Devo ter respondido “Bem.”, sempre respondo isso. Mas isso tudo não deveria ser tão simples. A pergunta em si engloba tanta coisa, desde estados a pensamentos. “Complicas novamente com algo tão simples.” alguém dirá, mas tenho os meus motivos. Conhecer uma pessoa realmente, do jeito que ela é de verdade, nunca é fácil.

Agora imagine resumir tudo o que essa pessoa, que você não conhece bem, sente em apenas algumas palavras. Simples não? E é aí onde eu queria chegar. Nunca conhecemos as pessoas suficientemente bem para saber como elas se sentem. Mas há de se convir que fazemos isso o tempo todo. Sempre que olhamos para alguém, principalmente as pessoas que achamos conhecer, analisamos o estado físico dessa pessoa. Não é preciso ressaltar que nem é tão difícil assim acertar nesse ponto. Mas é só isso.

Tente ler os pensamentos de uma pessoa, pensar como ela pensa, prever sua próxima ação, aí você saberá o que eu quero dizer.

Mas isso tudo não vale de nada se você conhecer a pessoa. Amigas que se entendem só com o olhar não se conhecem bem, necessariamente, afinal pode ser apenas o resgate de uma situação que já aconteceu. A isso damos o come de cumplicidade, o que nada tem a ver com real amizade.

Não se descobre uma real amizade, não se cria uma real amizade em um verão, não se tem meia dúzia de reais amigos. Não cometa o erro de achar que qualquer pessoa pode ser um real amigo. Nem todos podem, nem todos conseguem.

Reflita. Não se sinta falho. A culpa não é sua. Mas e agora, como você se sente?

Fazer o quê?!?!


“Aqueles dias, os melhores. Os momentos mais inesquecíveis. Tardes e tardes de extremo romantismo embalado por belas canções enamoradas. Ela, tão bela, tão pura. Parecia-me um anjo, um anjo lindo. Só meu! A beleza dela me fascina, me encanta, me faz flutuar. É doce como o mel, Sua pele tão macia quanto a pétala da mais formosa rosa. Fomos feitos um para o outro, sei disso. Mas...”

- Mas o quê, John? É uma bela história.
- Porra, Edu, não é uma história qualquer. É minha história com Lina!
- Que seja, qual o problema?
- Não entendes, meu caro. É magnânimo, é perfeito.
- É claro que entendo, John. Mas isso é um problema?
- Não que seja um problema. Mas tente me entender, Lina é uma deusa. Minha deusa. E como posso tocar uma Deusa? Não mereço tocar uma deusa.
- Mas, você já não tocou? Digo... Nada? Zero a zero?
- Nada, zero a zero. Necas de pitibiriba.
- Mas ela não quer?
- Não ouso tocar no assunto.
- Mas você nunca tentou...
- Cara, ela é intocável, não entende?
- Em resumo, você não tem coragem para tocá-la.
- Não é essa a questão, o fato é, Lina já sofreu muito, não quero decepcioná-la.
- Puta que pariu, John. Você é broxa, cara?
- Deixa de ser infantil, Edu. Acho que Lina não está pronta para uma coisa tão séria como essa.
-...
- Ela é especial, não é como as outras. Com ela tudo é diferente, meu riso é mais sincero. Com ela tudo é verdadeiro. O problema é que eu não agüento mais.
- Não agüenta o quê? Você vai acabar o namoro?
- Deixa de ser burro, Edu. Não vou acabar nada. Mas eu preciso, cara. PRECISO!
- Já pensou na possibilidade de tentar? Sei lá, vai que ela quer...
- Até pensei, ela me enlouquece às vezes. Sei que faço o mesmo com ela, mas ela nunca demonstrou vontade. Não sei o que fazer.
- John, tem que tomar uma atitude.
- Tenho, mas qual?
- E eu que vou saber? A necessidade é tua, a namorada é tua, te vira, cara.
-...

- Tens duas opções, ou espera o tempo de Lina ou procura uma puta barata por aí...

Amizades.


Amigos não são tudo na vida. Nossa, começar um escrito logo com uma frase dessas, quanta falta de visão.

Falta de visão? Do que falas? Amigos não são tudo e pronto. Eles são muito mais do que isso claro.

Não confunda amizade com “conhecimento”. Você pode conhecer uma pessoa há muito tempo e mesmo assim não se sentir amigo dela. Amizade verdadeira é aquela que é recíproca, sem explicações, a confiança impera.

Ah sim, quase me esqueço de algo importante, afinal não é algo que se quer lembrar. Me refiro as falsas amizades e as interesseiras também. Com toda certeza essa são as amizades mais interessantes, desde que se saiba cultiva-las. Ter amigos “mala” por perto é sempre bom, mas com cautela. Saiba jogar, e até uma falsa amizade pode se tornar uma grande aliada.

Mas no fim não há com o que se importar. Ou você gosta ou não gosta, é o tipo de coisa que não se pode mudar mesmo. Entenda o seu lugar e mais do que isso, o compreenda e saiba como jogar com ele, só assim tudo o que deseja pode se tornar realidade.

Amigos não são tudo na vida, mas como diz a musica “Nunca abra mãos de uns poucos e bons”. Mas não se esqueça: inteligente é aquele que sempre tem um amigo da onça, afinal nunca se sabe quando vai precisar de uma onça.

Vida Real.



Então ouviu-se um barulho estranho na porta. Nada. Tudo o que se podia imaginar era falso. Todas as alucinações, todos os calafrios, todas as promessas, tudo falso. Não importava mais. Ele já não se importava mais.

Quisera ele ter sido aceito no mundo assim como acontece com os extrovertidos, mas ele não tinha sequer uma parcela da sorte que esses costumam ter. Tudo bem, afinal ele mesmo fez seu caminho até aqui. Nunca dependera de ninguém para concluir seus sonhos. Sim, ele tinha sonhos. Muitos se tornaram realidade, mas os que sobraram se tornaram pesadelos intensos com corcéis negros e luzes cegantes. Ele havia se acostumado com tudo.

Ele não precisa mais se importar. Tudo aquilo que havia conquistado, lutado por, dado seu sangue para ter agora já não fazia mais sentido. Mas ele não esperava por nada. Não naquela manhã. Ele queria ter somente mais um monótono e rotineiro dia. Mas foi justamente naquele dia em que tudo começou a mudar, e elas mudaram rápido. Não houve tempo para se pensar no que fazer, muito menos no que planejar. Mas ainda havia a confiança. Confiança nele mesmo, claro, afinal as aspirações de outrem devem ser esquecidas.

Barulho, maldito barulho. Ele não gostava do barulho. A luz, já havia cessado, o que trazia uma grande carga de conforto. Mas o barulho ainda o incomodava. Ele precisa pensar. Tudo o que ele queria era pensar.

Parado ali, na beira do mundo, ele tomou sua decisão. Estava pronto para se suicidar. Ele queria isso. Não que ele fosse fraco, mas ele não tinha refletido o suficiente para ter uma opinião própria formada sobre o próprio suicídio. Com tudo o que passara, achou que estava na hora de acabar com tudo. Ninguém entenderia. Ninguém nunca entende.

O tipo de pessoa que teve tudo na vida. Riqueza, fama, ser invejado, ele tinha tudo. Mas ainda faltava algo. O externo, isso ele havia completado de maneira satisfatória, mas o seu interno clamava por algo.

Ele pensou mais uma vez, agora olhando para baixo. Trinta e seis andares até o fim. Daria tempo de repassar toda a vida. Mas não era isso que ele queria.

O tipo de pessoa que foi completamente realizada, a qual todos invejavam. Por que tais mudanças? Por que tudo isso? Ninguém nunca disse que haveria respostas para essas coisas. Com certeza agora não há.

A face de um gato, o gesto de uma namorada afetuosa, o carinho de uma mãe cheia de ternura. Ninguém nunca saberá o que lhe fez perceber que esses anos todos não valeram de nada.

Uma ultima olhada. Ele quer se assegurar que tudo dará certo. Ele não admite erros, nem falhas.

Mas suas percepções mudaram com um simples olhar. Um olhar que desperta a atenção até dos mais distraídos. Um olhar feminino. Não há mais o que falar sobre isso. Mas naquela manhã ele se entregou ao seu desejo. Ele não a podia ter, mas era egoísta demais. Nunca havia pensado desta maneira antes. Ele havia se apaixonado.

Talvez essa fosse uma linda historia de amor, se não tivesse um final trágico. Trigésimo sexto andar. Topo. Lá estava ele, a beira do prédio, como se fosse ter aula de vôo daqui a cinco minutos. Ele estava pronto para fazer o que ninguém jamais teria coragem de fazer. Ele estava decidido, sabia o que tinha de ser feito. Ele não conseguiria mais viver sem o amor daquela mulher.

Ele não se lembraria dos minutos seguintes por um longo tempo. Mas eu me lembro.

Lá estava ele, como se fosse pular do prédio. Não há ninguém esperando por ele lá em baixo. Não há gritos de “Pula” nem nada assim. Está calmo, mas há uma porta que faz um barulho que entra em sua cabeça de modo destruidor. Ele quer acabar com tudo de uma vez. Ele se decide.

Ele sabe que essa não foi a melhor opção, mas era viver com ela ou sem ela. Talvez atira-la do trigésimo sexto andar do prédio onde mora não tenha sido uma boa idéia. Pelo menos ele sabe que ela não existe mais, nunca sobreviveria.

A vida continua.

E depois?

- Ana, és tão esperta e tão confusa, ao mesmo tempo. Como consegues?
- Não é questão de conseguir ou não, Pedro. Sou assim. Tudo passa tão rápido, é tudo tão fácil, eu só expresso tudo isso.
- Mas o que diz, o que pensa, por mais confuso que seja, expressa de forma tão pura, tão simples. És objetiva em tudo, com todos.
- Eu maquino tudo, Pedro, tudo. Expresso de forma que possas entender. Alegro-me em saber que entendes!
- Sim, entendo, mas e os outros?
- Os outros não me escutam, Pedro. Não escutam.
- E Luca? Ele é tão atento ao que falas.
- Luca é atento, sim. Mas não tem tanta capacidade como você. Ele ainda tem muito para aprender. É jovem ainda, e tem vontade de aprender.
- Tento explicar coisas pra ele, também. Esses dias falei sobre o ácido a ele.
- E ele?
- Acho que não entendeu bulhufas do que disse.
- Não se preocupe, se não entendeu, um dia entenderá. Um dia todos entenderão.
- Amo a confiança que tens! És realmente o pior dos ácidos.
- Porque diz isso?
- És objetiva, sabe o que falar e a hora de falar, és astuta e cautelosa. Tens um futuro promissor.
- Obrigada, Pedro, obrigada! Mas vou te confessar uma coisa: nunca gostei de ser assim.
- Mas porque, Ana, por quê?
- Porque isso é só o que as pessoas vêem, só. É o que transmito a elas. É o que quero que pensem, que vejam. Sou a pior das criaturas.
-...
- As pessoas vêem uma Ana forte. Mas na verdade, sou fraca, medrosa. E por ter esse medo e essa fraqueza me escondo, escondo-me de mim mesma.
- Nossa, Ana! Não sabia que se sentia assim...
- Ninguém sabe. Ninguém.