Nada.


Bom, hoje resolvi escrever sobre nada. Ah, o nada cara.

Tão simples, tão complexo, tão simplório, tão lindo e tão mortal. Isso é o nada. Nunca nos damos conta, mas no fundo buscamos o nada. Não o nada de tudo, mas para muitas partes da nossa vida, as partes que não queremos e as que mais queremos. Não é contraditório não, pense que, quando não gostamos de uma coisa, queremos que ela suma, e quando gostamos demais de outra certa coisa, nós queremos sumir. É simples.

Nada. Que palavra magnífica. Tantos sentidos, tantos entendimentos. Nada deveria ter outro significado. Sei lá, algo do tipo “muita coisa”. Imagine a cena “Tem muita gente na festa?” “Têm nada.” “Oba! Tô indo aí.”. Seria no mínimo engraçado.

Mas e quanto a nossa vida? Estaria ela cheia de coisas? Ou não haveria nada? Um vazio quem sabe? Vai se saber, se estivéssemos no século XV ou XVI talvez, poderíamos nos tornar pensadores e viver somente para descobrir a resposta para essas perguntas. Mas hoje em dia é um pouco mais complicado. Temos que trabalhar para manter as crianças.

Enfim, a magnitude do nada não pode ser expressa nem entendida. Sei que muitos dos que lêem o que escrevo, e principalmente aqueles que também escrevem, sabem do que falo. Não há bons textos sem um nada. Não há bons diálogos sem um nada. É magnífico. Não tente compreender o nada, apenas reverencie-o. Será fácil e lhe trará segurança. Certo, admito que facilidade e segurança não nos importam, desde que sejamos o que queremos ser, do modo como queremos ser.

Nada. Admito que esse texto é sobre nada. Seu titulo é “Nada.”. Mas percebeste algo? Como um texto sobre nada englobou tantos assuntos? Como um texto sobre nada que englobou tantos assuntos conseguiu fazer você parar para refletir por alguns instantes? É disso que eu falo caros leitores, a magnitude do nada mora nas pequenas coisas, aquelas que não vemos, aquelas, que por sua inconstância, não são nada.

Comemora?


Pós dia dos namorados. Um dia feliz pra todas as namoradinhas realizadas. Não sei o que significa, só sei que vejo estampado no rosto da maioria delas. Você pode até pensar que isso é um comentário um tanto machista, mas não é a intenção. Sei que namoradinhos também estão realizados e felizes, ao menos os normais. Mas há um fato que me intriga: ‘Qual o motivo dessa feliz realização?’ Dia dos namorados é só mais uma comemoração. Todo reencontro de enamorados é uma realização, a meu ver. O fato de ter um dia marcado no calendário não torna um momento especial. Para pessoas interesseiras talvez, dia de ganhar um presente, mas isso é medíocre perto da emoção que o dia traz. Sim, ele traz uma emoção, nunca disse que não. Mas enfim, dia dos namorados é só uma marcação no calendário.

A magnitude do dia dos namorados é o cavalheirismo do companheiro, talvez você finja que não percebe, mas sabe que há um ‘Q’ a mais. Essa história de que “Ele é um príncipe” é balela, ele pode ser delicado, carinhoso, e tudo mais, mas príncipes só nos países hierárquicos e olhe lá, são príncipes de fachada.

Nesse dia tanto ele como ela se tornam mais afetivos e delicados. Tudo é azul e os momentos são perfeitos. O problema é que é sempre assim, ao menos comigo. Não é uma comemoração que nos desperta romantismo. Não tem explicação. Lamento se com você é diferente, acho que é hora de rever conceitos sobre seu companheiro.

Às namoradinhas desejo felicidade, aos namoradinhos romantismo. Parabéns por mais uma ridícula marca no calendário.

A Felicidade.


Quer ser feliz? Seja bonito. Nada se ser legal com a sociedade, rígido com a conduta, verdadeiro. Nada disso. Seja bonito. Você já viu alguma pessoa que seja bonita e que não é feliz? Claro, há casos e casos. Mas acontece em noventa por cento das vezes.

Muitos pensam que para ser feliz tem que achar a pessoa amada. Convenhamos, ninguém ama pessoas feias. Pessoas feias são usadas. Você esta triste, você até desabafa com pessoas feias, mas só as bonitas sabem seus segredos. Pessoas feias servem para ficar durante a balada enquanto se está bêbado, pessoas bonitas são paqueradas por mais de dois.

Há ainda os que pensam que dinheiro traz felicidade. E traz sim. Mas você já viu algum rico feio? Claro, com oitenta anos ninguém é mais bonito, mas nesses casos veja a pessoa que está ao lado deste rico para aplicar o golpe do baú, sempre são bonitas.

Não cara, eu não escrevo balelas. Se és bonito, sabes do que falo. Sempre teve regalias. Se és feio, sabes também do que falo. Sofres não?

Essa velha conversa de que as pessoas se importam com a parte de dentro, isso existe sim, mesmo assim a pessoa perfeita por dentro e estragada por fora não consegue parceiro algum. É a realidade.

Moral da história: Seja bonito. Não importa o custo, seja bonito. Sua vida melhorará. Só não se esqueça de uma coisa: Seja bonito sim, mas continue tendo cérebro. A maioria das pessoas bonitas esquece o coitado, deixa de usá-lo. Seja uma pessoas bonita e inteligente, sei que não é fácil, mas tente. Afinal é isso que procuramos não?

Ah, e não se esqueça de ter dinheiro. Caso tenha nascido feio e não tenha mais jeito de ficar bonito, tenha dinheiro. Ele é que torna as pessoas mais bonitas do que parecem. Seja muito bonito ou feio e rico, só assim serás feliz.

Duvidas Cruéis da Vida.



- E então qual deles?
- Vai com o outro.
- Esse?
- O outro.
- Mas esse não fecha muito bem com a situação.
- Mas é mais elegante.
- E é para ser elegante uma hora dessas?
- É para ser elegante sempre.
- Certo.
- Certo.
- Não gostei, vou com o outro.
- Não cara, vá com esse.
- Quero ir com o outro.
- Então vá.
- Irei.
- Vá.
- Mas se bem que o outro é mais bonito né?
- Foi o que eu disse.
- Deixe-me ver.
- E?
- Ainda não sei. Estou confuso.
- Confuso? Como pode estar confuso quanto a isso!
- Estou confuso e pronto.
- Cara, você dá medo.
- Só por que estou confuso?
- Isso mesmo.
- Você que acha que tudo é frescura.
- Não acho não.
- Acha sim.
- Então eu acho.
- Eu sei.
- Mas que você dá medo, isso dá.
- Para com essa história e me explica por que eu dou medo.
- Como se tu não soubesse.
- Não sei mesmo. Fale.
- Cara! Você está na frente do espelho, falando consigo mesmo, porque não sabe com que terno ir, no enterro de uma mulher que você mesmo matou! Isso dá medo cara!
- Se você não fosse a outra parte da minha mente, juro que eu te matava também.

Calendário.


Dias, hoje é dia disso, amanhã é dia daquilo, depois de amanhã é dia daquele outro. Pra que tanta comemoração? Não, eu não reclamo, pelo contrário, adoro quando caem em sextas ou segundas, feriadão certo. O problema é a poluição que isso causa. Calma, isso não é um apelo ecológico. Pensa comigo: Em abril, por exemplo, quase todo dia tem uma comemoração e, quase todos os finais de semana são feriados, ao menos esse ano. Chegou um ponto em que as pessoas já nem sabiam o que tinha que fazer naquele dia. Era uma confusão.

Feriados e datas comemorativas são ótimos, mas com moderação. Me diz, pra que comemorar dia de santo? É pura falta do que fazer, não acha? Não critico os religiosos, nem sou descrente por isso, mas acho uma puta hipocrisia essa história de dia do santo tal. Pega um baita traficante, que já matou uns vinte na faca, trinta com bala na cabeça, fora os que morreram por causa da droga que ele vendeu. Tu acha que ele come carne de porco em dia de corpus Christ? Ele não abre mão do peixinho nesse dia, é sagrado, diz ele. E naquelas procissões, sempre tem um bando de gente pedindo coisa pro ‘santo do dia’, só sabem pedir. Vai analisar a vida de cada um que pede, tudo pecador! Nenhum merece um ovo do tal santo. E vem-me dizer que é errado comer carne em dia de Corpus Christ, que não se escuta música em dia de finados, que tem que jogar flor no mar pra Iemanjá te dar um bom ano, que tu tem que pular sete ondas pra dar sorte, e mais um monte de idiotices que a sociedade nos impõe. O caralho pra essa sociedade. Tu é livre, cara. Tu não vai deixar de fazer o que quer por causa de uma porcaria de comemoração.

Talvez eu seja incompreendida, mas o que tento dizer é que, tudo isso é imposto pela sociedade, não é porque o santo tem um dia que ele vai fazer milagre, e tu não vai ter sorte no amor se usar vermelho no ano novo. Isso é mídia, eles te fazem acreditar nessas crendices pra vender, ou pra pegar teu dinheiro de algum modo ou pra amenizar o fardo da igreja.

Afinal, haja santo pra tanto pedido.

Amores.


Ah sim, o Amor. Não há razão para não aceitá-lo, mas há razões para que ele seja temido. Esse sentimento, talvez o mais destrutivo de todos, está sempre presente. Não importa se ele se refere a uma pessoa, a uma vida, a um objeto, não importa, todos amam alguma coisa, nem que seja não amar nada.

Mas se esse sentimento é tão perigoso como escrevo, então por que ansiamos tanto para descobri-lo em nós mesmos? Não há resposta. Quem sabe se soubéssemos um pouco mais sobre ele, ou se o entendêssemos um pouco mais. Mas não o entendemos, não o compreendemos, não o conhecemos e muito menos sabemos por que ele acontece. Mas creio que é justamente isso que o torna tão magnífico: o mistério. Sempre ansiamos por aquilo que não conhecemos, por aquilo que ainda não experimentamos, por aquilo que nunca se fez presente em nossa vida.

Mas se não o conhecemos, mas sabemos que ele é destrutivo, por que o ansiamos do mesmo modo? Não sei. Nem quero saber. Isso tiraria toda a graça da coisa. As pessoas amam e pronto. Isso não vai mudar. Ninguém que ama quer que isso mude. A magnitude do amor não foi feita para ser compreendida, estudada ou analisada.

Ah sim, o Amor. Você já o sentiu hoje? Não? Não se preocupe, é melhor assim. Todos que pensam que sentem o amor, não sentem mais do que afeição. E afeição é apenas um passo para o nada. O amor verdadeiro não se sente o tempo todo, nem é percebido quando se deseja. O amor verdadeiro é aquele que, quando você esta andado na rua e vê outra pessoa passando ao longe, faz com que a sua cabeça diga para você “Você a ama.”, e não é algo que se pode controlar. Apenas acontece.

Há os que se apaixonam mais facilmente e há os mais reservados. Não sei qual dos dois domina o mundo atualmente, afinal, torna-se cada vez mais difícil distinguir o amor da afeição. Nada de sentimentos verdadeiros. Deixe a luxuria dominar. É isso que o mundo ensina.

Tenho total convicção para dizer que Amo. Amo com muito afeto eu diria, mas não é afeição. Já passou disso à muito tempo. É Amor, do mais puro e verdadeiro Amor. Não peça para que eu lhe ensine. Nunca gostaria do resultado.